Software para desenvolvedores: traduzido ou em inglês?

Eric Sink, ex-desenvolvedor do que hoje é o Internet Explorer, tem hoje uma empresa que produz ferramentas de desenvolvimento de software. Ele sempre se sentiu culpado por não internacionalizar seus programas, mas isso parece ter mudado após uma conferência na Espanha:

Mesmo nosso produto sendo apenas em inglês, 30 a 40 porcento de nossa receita vem de fora dos EUA. […] Já tentamos localizar nosso software, e os resultados foram desprezíveis. Estivemos em uma feira onde o inglês não era a língua materna da maioria das pessoas, e ninguém sequer reclamou.

Ele mesmo reconhece que isso não se aplica a softwares voltados para o usuário final. Mas, será que desenvolvedores realmente preferem software em inglês?

Para começar, é preciso diferenciar localização de tradução. Muitos leitores disseram preferir interfaces em inglês, mas praticamente todos querem datas e números no formato local. Uma empresa russa não pôde usar o software de controle de versão porque era incompatível com nomes de arquivo em alfabeto cirílico.

Como um leitor apontou, é difícil traduzir o jargão da área. Freqüentemente o termo em inglês é tão ou mais conhecido que o traduzido. Nesses casos, é comum que usuário e tradutor discordem quanto a traduzir ou não um termo; já escrevi sobre anglicismos. Outro problema é quando o tradutor não entende o que está traduzindo, gerando erros memoráveis. No software livre, o processo aberto de desenvolvimento minimiza esse tipo de problema. Nunca traduzi software proprietário; alguém aí poderia contar a experiência?

Muitos leitores reclamaram da baixa qualidade das traduções, achando mais fácil usar software em inglês. O comentário 50 explica o motivo: a maioria dos desenvolvedores investe muito pouco em tradução. Entregam o serviço a quem oferecer o menor preço, sem avaliar a qualidade da tradução. Isso não se aplica à tradução voluntária, como a do GNOME no Brasil; nesses casos a motivação é o reconhecimento e a satisfação de um trabalho bem feito.

Outros leitores mencionaram preferir software em inglês pela facilidade de conseguir ajuda. É muito fácil pesquisar na internet soluções para mensagens de erro em inglês, mas isso nem sempre funciona quando a mensagem está traduzida. Além disso, em listas de discussão e fóruns internacionais fica mais fácil discutir algo se todos estão usando a mesma interface. Obviamente, essa vantagem só se aplica a quem sabe inglês. Como não sou da área, pergunto a vocês: no Brasil, os desenvolvedores dominam o inglês?

Acredito que, como disseram alguns leitores, a falta de pedidos de tradução/localização se deva justamente à barreira do idioma. A empresa fica nos Estados Unidos, seu site está em inglês, seus funcionários falam inglês, seus produtos estão em inglês. Para chegar a se interessar pelo software, é preciso saber inglês! Reparei que a maioria dos comentários foi escrita por europeus, que como se sabe têm um domínio de línguas estrangeiras maior que outras populações. Um belga comentou nunca ter encontrado, em 20 anos de suporte técnico em TI, um usuário incapaz de usar programas em inglês! Isso certamente não se aplica ao Brasil e outros países pobres em desenvolvimento.

Já usei muito software em inglês, há vários anos, quando a versão em português do Windows estava um ano atrás da em inglês. Hoje em dia software em português é a norma, e com GNOME e GNU/Linux os lançamentos são concomitantes em dezenas de idiomas. Como não sou programador, conto com a sua opinião: no Brasil (e Portugual), os desenvolvedores preferem software em português ou em inglês?

3 respostas em “Software para desenvolvedores: traduzido ou em inglês?

  1. Pingback: Leonardo via Rec6

  2. Leonardo,

    Eu, particularmente, prefiro o inglês (inclusive desenvolvo meu código com nomes de variáveis e funções em inglês); mas, ter ferramentas de desenvolvimento em várias línguas é importante, pois facilita o aprendizado aos desenvolvedores iniciantes, além de agradar também àqueles que preferem ter tudo em sua língua nativa.

    Já a localização, é essencial para a vida dos programadores!!! Imagine alguém digitando uma “custódia de cheques” (desculpe o termo bancário utilizado) utilizando um formato de data diferente do que já se tem o costume de usar?

    Resumindo: poder utilizar ferramentas em seu idioma deve ser considerado um fator importante da liberdade do software.

  3. Fala grande leonardof, td bem?

    Camarada eu além de preferir eu recomendo o uso de IDEs em inglês, o motivo é bem simples, documentação/suporte. O volume de documentação das linguagens de programação em geral são muito maiores na língua inglesa do que em português e isso facilita o aprendizado da pessoa que vai desenvolver, principalmente quando falamos de tecnologia de ponta, onde praticamente não há conteúdo em português, somente quando já esta madura lá fora é que começa a surgir conteúdo sério por aqui. Se a pessoa já desenvolve usando uma ferramenta em inglês ela vai habituar-se com mais agilidade/facilidade aos termos apresentados nos conteúdos encontrados na web/livros. A questão da localização é sem dúvida alguma um fator necessário, pois é uma questão de usabilidade do aplicativo e não de compreensão.

    Por isso acho complicado a tradução de ferramentas de desenvolvimento, pois na maioria das ocasiões o que agrega mais ao usuário que vai utilizar é usar a ferramenta na língua default (inglês).

    É isso rapaz … []’s e feliz natal!! ho ho ho!!!
    raulpereira.

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