A gota d’água em aplicativos GTK+

Não, eu não estou com a paciência esgotada! 🙂 Hoje estou comemorando que um antigo erro na verificação ortográfica do gedit foi corrigido, de forma que palavras hifenizadas (“corrigi-la-ia”) ou contendo apóstrofo (“d’água”) poderão ser verificadas por inteiro pelo verificador ortográfico.

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Entrevista com a tradutora Maria Luiza Borges

Faz (muito) tempo que não traduzo software livre, mas ao encontrar esta entrevista percebi que não poderia deixar de divulgá-la. Maria Luiza X. de A. Borges é uma consagrada tradutora brasileira, e conversou com a revista Carta Fundamental sobre o processo da tradução. Confira um trecho da entrevista:

E agora, as questões do idioma. Uma tradução deve ser a mais fiel possível ao texto original?

A questão da fidelidade é complexa. Se o texto soa natural e fluente no original, deve soar assim também na tradução, o que será impossível se o tradutor ficar colado à letra do original. O que interessa é obter o mesmo efeito, ainda que por vezes seja preciso usar recursos um pouco diferentes. Mas creio que se deve ter a fidelidade possível, respeitados os limites da língua-alvo. Quanto à criatividade, seria conveniente não tentar ser mais criativo que Perrault, os irmãos Grimm ou Andersen.

Uma obra traduzida não é a obra original. É uma obra derivada da original, ou seja, o tradutor é coautor. O trabalho do tradutor precisa ser valorizado, tanto pelos devidos créditos quanto, no caso dos trabalhos comerciais, através da remuneração justa. Senão viveremos num país em que apenas as pessoas com o domínio da língua inglesa terão acesso ao conhecimento e à diversão produzidos fora do Brasil.

O projeto GNOME está no caminho certo, e tenho orgulho de fazer parte dessa trajetória.

Arch Linux se destaca entre os Favoritos 2010 do BR-Linux

Saiu o resultado da enquete Favoritos 2010 do BR-Linux. O Arch Linux foi a 3ª distribuição mais usada para desktops, e a 4ª distribuição mais usada para netbooks. O Ubuntu continua com maioria absoluta, e o Debian segue em 2º lugar. Os donos de netbook continuam preferindo o Mandriva ao Arch Linux, mas com a situação da empresa tenho minhas dúvidas sobre o futuro dessa relação.

Na minha opinião, o Arch Linux é mesmo uma das melhores distribuições para quem não quer o Ubuntu. No Arch Linux não existe esse transtorno de reinstalar o sistema a cada 6 ou 12 meses, e o repositório está sempre atualizado. Falar em backport não faz sentido algum para um usuário do Arch Linux.

Infelizmente, essa é uma distribuição para quem não tem medo de editar arquivos de configuração, e aceita que de vez em quando é necessário seguir instruções para que o sistema operacional funcione a contento. Por outro lado, esse tipo de usuário descobre que no Arch Linux esse tipo de tarefa é muito simples. Isso, junto à instalação padrão mínima, dá uma flexibilidade imensa ao sistema.

Como eu não me incomodo com a necessidade de configuração do Arch Linux, para mim o principal defeito é a escassez de pacotes nos repositórios principais. Existe um grande repositório de “receitas” para a criação de pacotes, mas compilar software não é exatamente uma atividade divertida.

A solução seria o Arch Linux ter mais desenvolvedores, mas suspeito de que, para isso, seria necessário que existissem menos distribuições, ou que coisas como o LSB funcionassem de verdade e os desenvolvedores de softwares de aplicativo fosse capazes de criar pacotes que funcionassem em todas as distribuições. Infelizmente, a (imensa) diversidade de distribuições, e a incompatibilidade entre elas, parecem que vão continuar existindo por muito tempo.

Nesse meio tempo, posso dizer que já criei pacotes para o Gentoo, o Slackware, o Arch Linux e o Debian, e que no Arch Linux é bem mais fácil que nas outras distribuições.

Favoritos do BR-Linux

Achei que não faria mal divulgar. O BR-Linux.org está fazendo uma enquete para conhecer melhor seus leitores. São poucas perguntas (eu já respondi há uma semana), abrangendo as preferências de sistema operacional e aplicativos, a forma de usar o BR-Linux, e perguntas básicas sobre o leitor, como idade e área de atuação. Quem responder estará concorrendo a um HD externo USB da HP de 500GB, e a um alicate multifuncional (14 funções) Famastil Taurus.

Visite: http://br-linux.org/2010/ajude-a-escolher-os-favoritos-da-comunidade-edicao-2010-e-concorra-a-brindes-geeks/

CGI.br: Quem são os brasileiros que usam Linux?

Li recentemente a Pesquisa sobre o Uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação no Brasil 2009, publicada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, e descobri que o documento traz inclusive estatísticas de sistema operacional. Em resumo, 86% das famílias brasileiras têm o Windows instalado em seu computador principal; essa proporção é de 1% para o GNU/Linux, e desprezível para Mac e outros. 13% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder à pergunta.

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Mais sobre o Censo do GNOME e a Cauda Longa

Dave Neary, um dos membros mais ativos da Fundação GNOME, publicou a primeira edição do Censo GNOME, um levantamento da participação de cada colaborador, e de cada empresa, no desenvolvimento do GNOME. Como o BR-Linux.org destacou, um dos grandes destaques do censo foi que apenas 1% do código teria sido contribuído pela Canonical, enquanto a Red Hat seria responsável por 16%. Outra informação do Censo GNOME é uma espécie de proporção de Pareto: apenas 30% dos desenvolvedores são pagos para trabalhar com o GNOME, mas sua colaboração representa 70% do código.

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More on the GNOME Census and the Long Tail

I just read about Dave Neary’s presentation on the GNOME Census. Given the data, most of what I think is exactly what he wrote on the slides or the blog post. But there’s something I would like to stress, because we all take if for granted but we ought to keep telling to other people: the importance of the Long Tail.

Yes, more than 70% of the contributions come from paid work. But, if we consider voluntary as a company, that would be the most important company in the development of GNOME.