Entrevista com a tradutora Maria Luiza Borges

Faz (muito) tempo que não traduzo software livre, mas ao encontrar esta entrevista percebi que não poderia deixar de divulgá-la. Maria Luiza X. de A. Borges é uma consagrada tradutora brasileira, e conversou com a revista Carta Fundamental sobre o processo da tradução. Confira um trecho da entrevista:

E agora, as questões do idioma. Uma tradução deve ser a mais fiel possível ao texto original?

A questão da fidelidade é complexa. Se o texto soa natural e fluente no original, deve soar assim também na tradução, o que será impossível se o tradutor ficar colado à letra do original. O que interessa é obter o mesmo efeito, ainda que por vezes seja preciso usar recursos um pouco diferentes. Mas creio que se deve ter a fidelidade possível, respeitados os limites da língua-alvo. Quanto à criatividade, seria conveniente não tentar ser mais criativo que Perrault, os irmãos Grimm ou Andersen.

Uma obra traduzida não é a obra original. É uma obra derivada da original, ou seja, o tradutor é coautor. O trabalho do tradutor precisa ser valorizado, tanto pelos devidos créditos quanto, no caso dos trabalhos comerciais, através da remuneração justa. Senão viveremos num país em que apenas as pessoas com o domínio da língua inglesa terão acesso ao conhecimento e à diversão produzidos fora do Brasil.

O projeto GNOME está no caminho certo, e tenho orgulho de fazer parte dessa trajetória.

5 respostas em “Entrevista com a tradutora Maria Luiza Borges

  1. eu adoro o assunto tradução.lido com isso ha mais de 15 anos.mas,infelizmente ainda não vivo disso.o livro quase a mesma coisa é um livro que todos deveriam ler.é o livro dos livros.

  2. Acabo de , uma vez mais, repassar a “Para Ler Como Um Escritor”, de Francine Prose, quer por me considerar voraz leitor, quer um frustrado escritor, com pouco disciplinadas incursões na escrita de crônicas, à exceção de artigos técnicos de minha área profissional. Quero registrar minha satisfação ao ler- e repetidamente reler e consultar- trechos por mim assinalados da obra “Para Ler Como Um Escritor”, de Francine Prose.
    Meu comentário segue por um desafogo de consciência ,persistente caso omitisse a admiração pelo brilhantismo com que Maria Luiza X. de A. Borges combina à extensão do seu nome a dimensão do seu talento, naquele trabalho em que, superando a mera tradução, com pleno sucesso, constatado para quem (com algum labor lera a obra original) , acabou sendo presenteado pela confortável versão” tupiniquim”.
    Realmente digno de registro o resultado do trabalho da Maria Luiza, (a quem não conheço)particularmente nessa tarefa , dada a integridade que logra preservar em texto tão desafiante e complexo, por trazer à tona percepções de sensibilidade e técnicas literárias promanadas por aquela consagrada profissional das letras.
    Sinceros parabéns, Maria Luiza, pela homenagem prestada à nossa sofrida lingua e pela motivação a mim proporcionada na busca de outras traduções e obras de sua autoria/ Joaquim de Castro.

  3. Obrigado pelo link para a entrevista. Gostei muito das duas traduções que li dela (Alice e o livro de contos de fadas, ambos edições de bolso da Zahar).

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