Entrevista com a tradutora Maria Luiza Borges

Faz (muito) tempo que não traduzo software livre, mas ao encontrar esta entrevista percebi que não poderia deixar de divulgá-la. Maria Luiza X. de A. Borges é uma consagrada tradutora brasileira, e conversou com a revista Carta Fundamental sobre o processo da tradução. Confira um trecho da entrevista:

E agora, as questões do idioma. Uma tradução deve ser a mais fiel possível ao texto original?

A questão da fidelidade é complexa. Se o texto soa natural e fluente no original, deve soar assim também na tradução, o que será impossível se o tradutor ficar colado à letra do original. O que interessa é obter o mesmo efeito, ainda que por vezes seja preciso usar recursos um pouco diferentes. Mas creio que se deve ter a fidelidade possível, respeitados os limites da língua-alvo. Quanto à criatividade, seria conveniente não tentar ser mais criativo que Perrault, os irmãos Grimm ou Andersen.

Uma obra traduzida não é a obra original. É uma obra derivada da original, ou seja, o tradutor é coautor. O trabalho do tradutor precisa ser valorizado, tanto pelos devidos créditos quanto, no caso dos trabalhos comerciais, através da remuneração justa. Senão viveremos num país em que apenas as pessoas com o domínio da língua inglesa terão acesso ao conhecimento e à diversão produzidos fora do Brasil.

O projeto GNOME está no caminho certo, e tenho orgulho de fazer parte dessa trajetória.

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