Verificador ortográfico: com ou sem acordo ortográfico?

Há poucos anos passei a manter o vocabulário de português do Brasil para o Aspell, que é o verificador ortográfico usado pelos aplicativos GTK+/GNOME e KDE. Na verdade, (quase) tudo o que eu faço é converter para o Aspell o vocabulário desenvolvido pelo BrOffice.org. Depois que o BrOffice.org passou a trabalhar só com a nova ortografia, eu parei de atualizar o vocabulário do Aspell — afinal, a ortografia antiga continua válida até o fim de 2012. Devido a outros compromissos, ainda não consegui realizar meu projeto, que seria a criação de um vocabulário com ambas ortografias, e o usuário poderia escolher na hora qual usar.

Por isso eu quero saber de vocês, usuários de software livre, que ortografia vocês usam ou gostariam de usar em seus documentos. Vocês preferem manter a ortografia antiga, adotar a ortografia nova, ou usar as duas alternadamente?

Por favor, usem os comentários abaixo para falarem sobre as próprias necessidades de verificação ortográfica; também vale comentar sobre familiares, amigos e conhecidos. Meus artigos anteriores sobre o acordo ortográfico tiveram uma discussão muito longa e pouco produtiva, de forma que não poderei aceitar comentários com a opinião de alguém sobre o acordo ortográfico, favorável ou não. Dessa vez estou interessado em saber qual é, na prática, a ortografia que vocês estão usando ou pretendem usar nos próximos meses.

50 respostas em “Verificador ortográfico: com ou sem acordo ortográfico?

  1. Olá,

    Acho que no momento várias pessoas estão resistindo a mudança, assim como já ocorreu no passado, creio que com os anos a aceitação será mais aceita, se pensarmos que todos os meios de escrita já estão procurando atender ao novo acordo, creio que o correto é passar de uma vez para a adoção do acordo no Aspell.
    Um dos focos deste acordo é que a língua portuguesa seja uma língua tida como internacional e assim sendo uma das línguas oficiais da ONU, sem este acordo fica inviável esta adoção. Atualmente todos os documentos da ONU são traduzidos oficialmente para vários idiomas, mas não para o português, espera-se que com estas mudanças nossa língua entre para o rol das línguas oficiais da ONU.

    Ahhh muito obrigado pelo seu trabalho frente ao Aspell.

  2. Eu trabalho na Justiça Federal em São Paulo, e lá nós adotamos as regras do novo acordo ortográfico.

    Em casa eu procuro utilizar, também, as novas regras, já que em algum momento teremos de utilizá-las, e quanto antes adotamos-as, melhores as chances de nos acostumarmos.

  3. Alguns dos meus professores do mestrado já estão exigindo que os trabalhos sejam escritos com a nova regra. Então eu acho que tem que atualizar o dicionário.

    Abraço!

  4. Hoje pode ser que tenha alguém que queira utilizar a antiga ou alternar. Mas, como você mesmo disse, em 2012 não vamos ter muita escolha. Todos deveremos usar as regras novas.
    Portanto, acho que criar a opção de escolher entre a nova ou a velha seria pura perda de tempo. Gramatica nova pra todo mundo.😛

  5. Embora o novo sistema ortografico seje só oficializado em 2012, já vale estudar e acustumar com as novas regras, afinal estamos falando somente da escrita e não de um novo modo de falar.

    Então atualize o dicionário, e mantenha o novo padrão.

  6. Em relação ao AO: E encontrar um português em Portugal que escreva segundo o acordo? só mesmo as empresas que produzem dicionários (só mesmo os dicionários) e a CPLP? Mas ainda não chegou a altura para implementá-lo, e já nem sei qual é a data que vai entrar em vigor. Todos os media portugueses usam a grafia anterior ao acordo. O que é mais curioso. Há muita desinformação a circular sobre isto tudo.

    Em relação ao VERO, cuja página vi agora outra vez, continuam a ignorar as necessidades e realidade dos portugueses, ao produzir uma versão pt_PT. O Corrector (verificador que corrige) ortográfico é uma versão adaptada do português brasileiro, em que foi executado um programa para alterar a grafia divergente, parece óbvio, mas é má ideia quando feito automaticamente, já se tentou antes e não funciona sem revisão manual.
    No entanto o vocabulário do VERO tem tudo e mais alguma coisa, e uma boa parte do vocabulário no dicionário não é usado em Portugal. O facto de terem eliminado o dicionário de antes do acordo ortográfico, e terem adaptado a versão AO demonstra que vivem numa outra realidade cultural. Tenho quase a certeza que eles ignoraram as excepções do AO em relação ao uso das consoantes mudas (que soam) em Portugal. A única coisa que merece mais mérito é o facto de eles manterem dicionários temáticos (desconheço a sua validade), o quais alguns não se adaptam ao português de Portugal sem uma boa revisão de termos.

    As pessoas que têm a ilusão em unificar a pt_PT e pt_BR em um ‘pt’, só conhecem um dos 2 lados da moeda. Ainda se pensa que a ortografia é a principal fissura entre as variantes. Há vocabulário diferente, regras gramaticais diferentes, expressões diferentes, e vai continuar a haver ortografia diferente. Há gente que teima em não ver.

    O maior problema da divergência (especialmente das áreas recentes) está no vocabulário usado, e não na ortografia. Só têm de experimentar programas em pt_PT e pt_BR para ver que diferenças estou a falar. (o Gnome por exemplo). Por exemplo, em Portugal diz-se “descarregar”, “transferir” ou ocasionalmente a forma inglesa “download”. Nunca se diz “baixar”, por muito estranho que soe a um falante brasileiro.

    A existência de 2 grafias no futuro não me choca, é uma questão de (muito) tempo para normalizar a grafia. A língua não se fez num dia. Pessoalmente eu ainda mantenho a grafia antiga, e não me vou preocupar muito com aprender a nova, o tempo e a observação vai ajudar-me a assimilá-la.
    Preocupar-se em usar 2 grafias, parece-me um problema adicional e desnecessário para a vida do cidadão comum. Ou se escreve de uma maneira, ou de outra. Se errar no meio não é o fim do mundo por causa disso, afinal de contas os livros que estão em casa e na biblioteca ainda estão na grafia antiga. (Ou há tolos que vão comprar os mesmo livros, só por causa da grafia?)

  7. Estou utilizando a nova ortografia nos documentos que escrevo. Pode ser interessante ter as duas opções, mais isso significa mais trabalho (para você🙂

  8. Olá!
    Profissionalmente (sou escritor e editor), sou obrigado a usar a nova ortografia, e para isso o Vero, do BrOffice tem sido muito útil. Mas, como sou contra o absurdo acordo, particularmente e em meus blogs uso apenas a ortografia antiga.
    Para mim, um dicionário apenas com a ortografia nova é suficiente.
    Sucesso!

  9. O mérito do acordo já não vem ao caso; ele é fato e já está em exercício. O prazo, 2012, é para adaptação daquilo que é complicado verter. Se já é possível elaborar o corretor usando as novas normas, então não há necessidade de prolongar o prazo artificialmente. Manter duas versões, acredito, é perda de tempo. Até mesmo porque o corretor ortográfico, por definição, deve seguir as normas em exercício. Um outro ganho da transição desde já é acelerar a reunião dos dois dicionários pt_PT e pt_BR.

  10. Não há nenhuma razão, pela qual, desde já, não se possa utilizar o português, com as novas regras do acordo ortográfico. Há algo que passa despercebido, por muita gente. Escrevemos o português não somente por que lembramos das regras gramáticas, escrevemos muito mais pela nossa memória visual. Dito isto, é pra ontem a necessidade de cada vez mais, ficarmos expostos as novas regras do acordo ortográfico. Haverá de chegar o dia, em que não mais estranhe, grafar ideia sem acento.

  11. Sou estudante de graduação e já uso o corretor ortográfico com as novas regas. Como o colega acima não vejo nem uma razão para a não observância destas regras desde já. A mudança nas regras nos softwares é um estímulo para que as pessoas se adequem a elas, até porque isto suaviza a transição.

  12. Leonardo,

    Eu atualizei eu mesmo o meu aspell, convertendo os arquivos do Vero manualmente.

    Os franceses tiveram uma reforma ortográfica em 1990, mas eu não consegui localizar se o dicionário francês do aspell está ou não atualizado.

    Os alemães também reformaram sua ortografia em 1996, e há hoje dois dicionários diferentes no aspell: aspell-de (o reformado) e aspell-de-alt (a velha (lit.) ortografia).

    Talvez fosse o caso de fazer o mesmo com o pt_BR, ter um pt_BR-AO (acordo ortográfico) atualizado e um pt_BR-SAO (sem acordo ortográfico), nos moldes de como está o Vero hoje.

    Para os brasileiros as diferenças são poucas, de toda a forma é bom ir se acostumando, especialmente quem tem filhos na escola, como eu, que estão começando a ser alfabetizados já na nova ortografia.

    E, sim, como disse o Herbert Bernardo, memória visual conta muito. Lembro de quando eu lia os livros de Monteiro Lobato quando criança, livros editados nos anos 60, e como sofri depois na escola, porque queria escrever coisas como “côr”, “êle”, “húmido” (no Brasil o correto é úmido sem h) porque me lembrava de ter lido assim nos livros…

  13. Pingback: Verificador ortográfico: com ou sem acordo ortográfico?

  14. O novo acordo ortográfico está em vigor. Não adianta não não gostar dele.

    O fato das editoras (e fabricantes de software) terem até o ano de 2012 para se adequar, não quer dizer que nós temos que fazer isso.

    Eu uso já. E gostaria que meu soletrador respeitasse isso.

  15. O novo acordo já entrou em vigor. Não tem por que ficar olhando para o passado. Textos antigos devem ser revisados e escritos com a nova regra. Por isso, pelo menos para mim, vale manter apenas o corretor ortográfico com o acordo.

  16. Estou tentando usar a nova, mas devo cometer ainda alguns erros, principalmente em relação ao hífen.
    Mas pretendo usar a nova, até porque se eu não me cobrar isso, não vou me adaptar ao novo vocabulário nem mesmo em 2012.

  17. Leonardo,

    Um verificador com a nova ortografia seria o ideal.
    Explico:
    Em casa utilizo Ubuntu (GNOME).
    Minha filha mais velha fez curso no SENAC de introdução à informática (ensinaram Windows).
    Para minha surpresa, na nova escola das minhas filhas, há computadores com Ubuntu. Pelo que elas me disseram alguns alunos sentiram dificuldade inicial com o Ubuntu, mas já estão se adaptando. Na escola convivem computadores com Windows e com Linux. As minhas filhas usam os sistemas operacionais Windows e Linux sem fazer distinção entre eles. Para elas basta que o computador funcione (internet, e-mail, fotos, filmes, editor de textos, etc).
    Então, como o Linux está se espalhando, nada melhor que ter as novas regras ortográficas no Linux. Assim, quanto mais cedoo novo acordo chegar ao ASPELL, melhor para todos nós que utilizamos LINUX.

    Abraços e obrigados pelo trabalho.

    Adinoél

  18. Pessoalmente, eu não gostei do acordo. Contudo, já que vamos ter que nos adaptar a ele, acho mais apropriado começar a usar as novas regras desde já. E apenas ela para não gerar confusão.

  19. A nova.

    Pois quanto mais rápido nos adequarmos, melhor para nós mesmos, que acabaremos saindo “na frente”.

    E começando desde já, mostraria o poder do software livre (Vide VERO que ganhou uma bela fama pelo feito).

    []’s

  20. Não acredito que em nenhum ambiente de trabalho seja exigida a manutenção do antigo acordo, ao contrário, estamos vivendo num período de “tolerância” às antigas regras. Manter os dois acordos é um trabalho desnecessário. Sou completamente favorável à mudança. Esqueça a ideia de trabalhar com regras antigas.

  21. Com acordo ortográfico. Mas o verificador ortográfico do BROffice é gigantesco. Se aceitam sugestões, a possibilidade de fazer includes no Aspell e no Hunspell seria uma boa (pt + pt_BR ou pt_PT + técnicas se necessário).

  22. Independente de minha opinião, a Reforma Ortográfica está em implementação e a possibilidade de coexistência das duas grafias por um período é apenas para não impor tão bruscamente e que haja um período de adaptação.

    Por este motivo, opino que o Aspell pt_BR deve já estar adaptado às novas regras. Na universidade em que estudo, por exemplo, já esta sendo fortemente incentivado o uso da grafia de acordo com a reforma, acelerando a assimilação das novas normas.

  23. Eu utilizo o aspell principalmente com o Pidgin e quando estou em casa utilizando o Ubuntu. Minha necessidade é escrever corretamente um e-mail, texto, artigo, post, e qualquer coisa em que eu estiver trabalhando.

    Sendo assim acredito que ter as duas versões juntas pode ser confuso e ruim, pois vamos escrever metade do texto com uma regra e outra metade com outra, desta forma qualquer uma das opções, contanto que sozinha serviria.

    Eu acredito que se houver o trabalho de atualizar o aspell, já valeria a pena atualizar para a nova gramática.

  24. Pingback: Dicionario para Aspell, agora com o Acordo Ortográfico « Leonardo Fontenelle

  25. Ei, pessoal, não se esqueçam das grafias duplas (p. ex. “antónimo/antônimo”) aprovadas em Lei! :-S
    Apesar de ser contra este Acordo, já que virou lei, então que o adotemos. Mas nesse caso, se realmente quisermos uma ortografia única para os programas, então deveremos unificar os dois dicionários pt-BR e pt-PT, para formar um dicionariozão só, que não aponte como errado nenhuma das duas variantes. Mas isso sem dúvida enfezaria os que querem escrever segundo suas origens!
    Enfim, caso a pensar.
    Paz e Bem!

  26. Cesar, de fato o acordo ortográfico é um estímulo para a unificação dos verificadores ortográficos. No momento, entretando, existem alguns obstáculos.
    Os portugueses continuam resistentes ao acordo, e não têm pressa alguma em implementá-lo em seus verificadores.
    Enquanto o Projecto Natura (de português europeu) prioriza as palavras mais frequentes, para não marcar como corretas algumas palavras incorretas, o Vero enfatiza a abrangência da lista de palavras, de forma que palavras corretas não sejam erroneamente marcadas como incorretas.
    As palavras escolhidas em cada país são diferentes, por exemplo, o que no Brasil se chama “ônibus” em Portugal é “autocarro”. Isso não é alterado pelo acordo ortográfico, e exige a manutenção de uma lista comum de palavras, e mais uma lista para cada país ou região.

  27. eu e muitos da minha faculdade (inclusive os que cursam letras) rejeitamos fortemente o novo acordo pois não passa de um acordo político, sem base gramatical.

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