Portugal aprovou o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

Dia 16 de maio de 2008, a Assembléia da República de Portugal aprovou o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Esse movimento decisivo, combinado aos avanços do acordo nos últimos meses, indica que agora a questão não é se, mas sim quando e como o acordo será posto em prática. A Academia Brasileira de Letras comemorou a decisão do parlamento português, que deverá ser publicada no Diário da República (de Portugal) dia 19 de maio.

Eu escrevi meu primeiro artigo sobre o acordo no ano passado, como uma desculpa para me inteirar sobre o histórico e a situação das alterações ortográficas de ouvi falar quando criança. Hoje aquele artigo conta com quase 150 comentários, e representa um sexto de todas as exibições de página na curta história deste blog. Isso é que é assunto popular, hein? O segundo e este terceiro artigos são atualizações daquele primeiro, mas espero a seguir contribuir de uma forma variada: entrevistando dois angolanos e um galego.

Naturalmente, a Wikipédia é uma ótima referência sobre o assunto!

[Em tempo: descobri sobre a aprovação do Acordo Ortográfico no parlamento português graças ao comentário do leitor Rodrigues em meu primeiro artigo sobre o acordo.]

13 respostas em “Portugal aprovou o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

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  4. O Presidente da República vai assinar o decreto por duas razões:
    -Num dos seus governos em que foi primeiro-ministro, já tinha havido uma tentativa de aprovação do Acordo que foi boicotada pelos mesmos que agora tentaram boicotar – as editoras portuguesas, aquelas que nos vendem os livros mais caros da Europa e que fazem o que podem e não podem para impedir a chegada a Portugal de livros brasileiros;
    -Na sua última viagem oficial ao Brasil, como PR, Cavaco disse que concordava com o Acordo. Vai assinar, claro, para bem da Língua Potuguesa.

    Acho graça que, agora, os opositores ao acordo digam que ainda têm seis anos em que o acordo não será implementado. E acho graça porque os opositores ao acordo diziam antes da aprovação no Parlamento que o prazo de seis anos era conversa para enganar as pessoas, que assim que o acordo fosse aprovado imediatamente começaria a ser implementado nas novas publicações, livros escolares, etc.

    Aquando da revisão de 1911 também se previa um perído de 3 anos. No entanto, a implementação foi imediata, só não foi aplicada nos jornais dos políticos que se opunham. Escolas, publicações oficiais, jornais que não pertenciam aos oponentes do acordo começaram a implementá-lo imediatamente.

    As alterações anteriores, quer de comum acordo com o Brasil ou não (1945, 1971) foram postas em prática imediatamente. Não há razão para que desta vez seja diferente.

  5. Não me conformo com a ideia de se estar e se ir gastar milhões e ninguém ligar importância a questões tão simples, como a forma de se escrever.

    Como português, desconhecia que no Brasil se escrevia “freqüência”, retirando o trema com o Acordo Ortográfico se escreve “frequência”, perdendo-se assim a informação que o u é lido.

    Se estamos a rever o acordo, não se poderia encontrar uma grafia que resolva algumas dúvidas?
    Poderia se escrever “frecuencia”?
    Porque não um duplo u e escrever “frequuência”?
    Utilizando o hífem e escrever “frequ-ência”?
    Ou retirar o u mudo e escrever “qente” em vez de quente?
    Repetir a consoante como no inglês, “freqquente” e “lingguiça” ??

    As mesmas dúvidas com enxame, exame(ezame) e fixação(ficsação).

    Talvez seja tarde!

  6. Embora tenha sido alcançada a “mesma” ortografia entre os países de língua portuguesa, o uso desta ou daquela palavra pode ser um obstáculo para que um mesmo livro circule bem nos países que assinaram o acordo.
    Em outras palavras, será necessário ainda algum tipo de ajuste para a “regionalização” do livro?
    Um livro em português de Portugal poderá virar um best-seller ou a adaptação da editora brasileira ainda é um ponto importante para a aceitação da obra? Não sei dizer, por exemplo, se as obras de Saramago foram mantidas na íntegra pela Companhia das Letras.
    Enfim, não sei quais as implicações do acordo, mas fico intrigado o que ele representará em termos de mercado editorial. Imagino que o brasileiro ainda não leia a literatura portuguesa com facilidade nem o português leia a literatura brasileira. Talvez este último até leia, não sei….

  7. Mesmo que nossos sotaques lusófonos sejam diferentes, falamos a mesma língua. Os idiomas dos países de fala portuguesa são idênticos. As construções, às vezes, são diferentes, como no uso verbos no gerúndio e no infinitivo, mas é a mesma língua, tanto quando dizemos “eu estou falando” , como quando dizemos “eu estou a falar”. Essas construções diferentes e o uso de sinônimos (trem – comboio, ônibus – autocarro, bonde – elétrico etc.) enriquecem o idioma.

    Vejo, aqui no Rio de Janeiro, programas de televisão portugueses e me delicio com o cuidado de todos com o idioma, demonstrado pelas construções gramaticalmente precisas, mesmo na linguagem coloquial das novelas. Vejo, também, apresentradores africanos nos presenteando com diferentes sotaques da nossa bela língua. Já assisti a programas feitos nos Açores, terra de meus ancestrais, minha origem familiar. Aprendo gírias e a músicalidade das distintas falas. Penso: que delícia! Sempre é o meu idioma, a minha língua pátria, o português, chamdo pelo nosso poeta Ruy Barbosa, de “última flor do Lacio, inculta e bela”. Foi a ultima língua latina a se estruturar, muito bonita. O termo inculta fica por conta de todos aqueles que a maltratam, falando e escrevendo de modo errado.

    A nossa bela língua é dinâmica. Ela se enriquece continuamente com neologismos, como “machamba”, vindo da África, e com simplifiações como acordos para o cancelamento de consoantes mudas e de acentuações desnecessárias.

    Quando envelhecemos, temos mais dificuldade em aceitar mudanças. Gostamos de contar como as coisas eram no “nosso tempo”. Nos esquecemos que o nosso tempo é o hoje. O tempo que dizíamos ser o “nosso tempo” é um tempo passado, que já se foi e não voltará. Se não fosse a coragem dos portugueses e brasileiros do século passado, ainda teríamos a escrita etimológica, como “amnistia”, “matto”, “photographia”, “eucharistia” etc..

    Reconheço a notória sabedoria e a credibilidade de todos os que trabalham na reforma ortográfica de nossa belíssima língua portuguesa. Se o lado mais velho do meu espírito contesta, saudosamente, alguma simplificação, como a exclusão do uso do trema, como apontou o LUÍS SOUZA em sua inteligente mensagem nesta página, o lado racional dele bate palmas. Respeitando a credibilidade dos nossos filólogos, curvo-me ao que decidirem. Teremos, em fim, uma única língua gráfica, mais simples. Desaparecerão para sempre as versões portuguesa e brasileira de textos da ONU, assim como de livros.

    A unificação da ortografia é um sonho meu que se realizará. Obrigado aos mestres e a todos os que contribuiram para isso.

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