Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, março de 2008

Meu artigo anterior sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa continua sendo um campeão de audiência, mais ainda em 2008 do que quando foi escrito. Se naquela época aumentava o burburinho sobre o acordo, hoje as notícias recentes me fazem acreditar que, finalmente, o acordo será colocado em prática. [Atualização: em maio de 2008 o parlamento português aprovou o acordo.]

Há poucas semanas Rui Vilela avisou que o governo português tinha aprovado o Acordo Ortográfico de 1990, ou mais especificamente seu Segundo Protocolo Modificativo. Pesquisando um pouco mais, descobri que acordos internacionais precisam ser ratificados pelo Parlamento português. Por isso mesmo, a Assembléia da República [câmara dos deputados em Portugual] organizará uma conferência internacional e audição pública sobre o acordo ortográfico. Se a proposta do governo for aprovada no Parlamento, o acordo deverá ser adotado gradualmente ao longo de seis anos.

No dia seguinte à aprovação pelo governo português, o Diário Oficial da União (brasileiro) trouxe a determinação de que os livros do Programa Nacional do Livro Didático de 2010 deverão estar adequados ao Acordo Ortográfico. A matéria informa ainda que o processo de inscrição e entrega das obras será feito já nos próximos meses, de 26 de maio a 4 de junho.

No dia em que saiu aquela edição do Diário Oficial, o presidente de Portugal estava no Brasil para a comemoração do bicentenário da chegada da corte portuguesa ao Brasil. Aníbal Cavaco Silva pronunciou oficialmente que a aprovação do acordo foi uma forma simbólica de o Governo se associar às comemorações. Cícero Sandroni, presidente da Academia Brasileira de Letras, comemorou a aprovação portuguesa: Nós vamos ser uma língua escrita da mesma forma. Não importa a maneira como vamos pronunciar as palavras, mas a grafia será a mesma.

(Houve ainda uma interessante reunião entre os ministros da cultura brasileiro e português.)

Cavaco Silva esteve ainda esse ano em visita a Moçambique, cujo presidente também se pronunciou a favor do acordo. Em entrevista, Armando Guebuza anunciou que Moçambique está analisando o acordo ortográfico e, como é óbvio, um dia vai assiná-lo.

Em Macau, a maioria dos especialistas contactados pelo [jornal] Tai Chung Pou apenas observa, sem se envolver, a discussão sobre o acordo. Destaco a seguir alguns trechos da matéria desse jornal de Macau:

A RAEM é um território pequeno, onde o português não é o idioma de rua; contudo, aqui concentram-se todos os aspectos que estão no centro da controvérsia que se gerou à volta da uniformização da ortografia. Além de ter a língua de Camões como uma das línguas oficiais e ser um dos centros de ensino da língua na Ásia, Macau é elogiada como plataforma das relações entre a China e os países lusófonos. Diplomacia, comércio e cultura são os três sectores em que o acordo fará diferença, segundo os defensores do projecto que se arrasta há 14 anos.

Nas conversações entre os futuros parceiros até ao definitivo aperto de mão pode não existir qualquer dificuldade de comunicação, mas quando se chega à parte jurídica a situação complica-se. Tanto ao nível do comércio como das organizações inter-governamentais, a redacção dos documentos tem que ser feita em paralelo, nas normas de Portugal e do Brasil. “Não há necessidade e não faz sentido”, defendeu o director do Departamento de Português da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Alan Baxter.

Na semana seguinte à aprovação do acordo pelo governo português, a Texto Editores disponibilizou dois dicionários adequados ao Acordo Ortográfico de 1990, além de um guia explicando as alterações.

32 respostas em “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, março de 2008

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  3. A proposta do Acordo Ortográfico (boa ou ruim) continua a mesma. Quando o acordo começar a valer mesmo, os documentos oficiais terão que se pautar nele, assim como aconteceu com as outras alterações da ortografia. Algumas décadas depois, as pessoas lerão documentos de hoje em dia e acharão graça do nosso jeito de escrever🙂

  4. A MEU VER, O FATO DE SE MODIFICAR O “FACTO”, DE NADA INTERFERE, BEM COMO SUA PRONÚNCIA NÃO IRÁ DECERTO, FERIR A ESSENCIA DA LINGUAGEM.
    CONTRÁRIO SENSO, A LINGUAGEM É PROPRIEDADE DA HUMANIDADE E NÃO DE UM POVO ESPECÍFICO, UM PAÍS OU CONTINENTE.
    SOU BRASILEIRA, FORMADORA DE OPINIÃO, UMA CURIOSA APENAS, E FICO IMAGIONANDO A SEQUÊNCIA INTERMINÁVEL DE BENEFÍCIOS AOS BRASILEIROS E PORTUGUESES, CONSIDERANDO TORNAR-SE PRÁTICO E EVIDENTE O RESPECTIVO ACORDO ORTOGRÁFICO.
    NENHUM PREJUIZO IRÁ RESTAR AOS IRMÃOS PORTUGUESES A SER FRANCO.
    DEVERIAM ESTES A BEM DA VERDADE, ANALISAR DIPLOMATICAMENTE O QUE SERIA DA LINGUA PORTUGUESA, SE NÓS, MAIS DE 200 MILHÕES DE BRASILEIROS ORGULHOSOS DE NOSSA ORIGEM E DE NOSSA ETINIA MISCIGENADA, NÃO FALÁSSEMOS O RESPECTIVO IDIONA, ESTE, FOSSE DEIXADO A SORTE APENAS PELOS 10 MILHÕES DE NOSSOS IRMÃOS LUSOS…
    SERÁ QUE TERIA SOBREVIVIDO EM SUA INTEGRIDADE?
    SERÁ QUE PODERÍAMOS POSSIBILITAR QUE ESTARIA “MORTA”?
    QUANTAS LINGUAS SE EXTINGUE UNIVERSALMENTE FALANDO A TODO INSTANTE NO UNIVERSO?!?!
    FINALMENTE:
    10 MILHOES DE PALITOS DE FÓSFOROS ACESOS, PODERÃO PROVOCAR UM FOCO DE LUZ NO UNIVERSO, MAS 210 MILHÕES DELES, SEGURAMENTE PROVOCARÁ UMA LUZ INCANDECENTE E UNIVERSAL.
    SOU PÉLA UNIÃO ENTRE OS POVOS.
    PENSO NA UNIFICAÇÃO DE FORMA SIMPLES E DESCOMPLICADA
    NÃO VEJO NENHUM ASPECTO PREJUDICIAL O FATO DO RESPECTIVO ACORDO SER COLOCADO EM PRÁTICA
    VEJO APENAS BENEFÍCIOS, OS QUAIS PODERÃO SER DE TAMANHA PROPORÇÃO A LONGO PRAZO,
    A GERAR AO CONTRÁRIO DE PERDAS DE QUALQUER LADO QUE SEJA, SIM A CONQUISTA DE NOVOS ESPAÇOS, NOVOS HORIZONTES, NOVAS BRAÇOS DE REFERÊNCIAS CULTURAIS, ETC…

  5. de facto que assim seja que venha o acordo ortográfico…
    se bem que existen nuances ou seja, a palavra FATO e FACTO são palavras destintas, e bem, em português de portugal, passo a exemplificar:
    Esse FATO fica-te Bem (a palavra FATO aparece aqui como uma peça de vestuario);
    É FACTO provado que ela praticou adulterio (e este FACTO (com C e este C é lido não é “mudo” e aqui este FACTO aparece como uma evidencia, prova, certeza…)
    E não vamos esquecer tambem que o português do Brasil já esta muito “americanizado”
    palavas como por exemplo “AIDS” em português SIDA ou USUARIO que deriva da palavra Inglesa USER, quando em português se escreve, e a meu ver bem, UTILIZADOR que é a pessoa que utiliza ou usa algo, a a palavra ESPORTE e TIME …deriva do quê!? SPORT? e TEAM? não deveria ser como em Portugal DESPORTO e EQUIPA… pois não sei mas axo que sim….
    que venha o acordo mas que não venham os e”extranjeirismos” porque se é para piorar ficamos assim como estamos!
    e não devemos esquecer que onde se fala português não é só em Portugal e no Brasil mas tambem em Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Cabo verde, e ainda mais residualmente em Timor, Macaue até ainda muito mais residualmente India, portanto o português nunca sera deixado entregue só e meramente á nossa “sorte” a lingua portuguesa é muito mais que Portugal

  6. No início era contra o Novo Acordo Ortográfico da língua portuguesa. Agora que Portugal assinou o Protocolo sou a favor, porque escrever uniformemente dá prestígio ao idioma falado por mais 230 milhões de pessoas que vivem em 8 países diferentes, sem contar Macau e Goa por onde andou Luís Vaz de Camões. Escrever de um modo uniforme não quer dizer falar de um modo uniforme. Mas estou com medo que o texto oficial do Acordo apresente exceções e mais exceções, como é o caso de António (em Portugal) e Antônio (no Brasil). E nos outros países como é que escreverão Antonio?
    E tem mais! O Acordo foi redigido em 1990. Será este texto que vai entrar em vigor ou já houve modificações ou algumas variantes ainda são válidas. Olha, sou da opinião de Coldfire: se é pra complicar mais, é melhor assim como estamos. A quinta língua mais falada no mundo merece respeito e seriedade.

  7. Antes de mais quero dizer que sou português e moro no Brasil, de qualquer forma só acho que independentemente de acordos ortográficos, acho que muito, muitíssimo mais grave é haver gente que fala de “eXtranjeirismos” deveria olhar para a a forma como escreve “axo”… é muita falta de bom senso… O ideal é falar e escrever sempre o correcto, conforme o país onde está. Estas novas palavras que começam a surgir na web é que deveriam ser banidas, e não propagadas, como vem acontecendo, por isso acho que o Sr. “coldfire”, deveria chamar-se fogofrio e deveria escrever “acho” de forma correcta, ou correta, como quiser!!!

  8. Sou aluno de 12º ano sempre tive problemas em escrever correctamente muito embora tenha um gosto um pouco que aguçado por escrever à sorte da imaginação e factualidade. A única razão pela qual venho aqui expressar-me é que estou para ter uma discussão didáctica com o meu professor de português sobre o assunto, porque, muito embora eu descure muitas vezes a rigorosidade da escrita da minha linda e mal tratada língua não preciso de muito para identificar o português escrito segundo a norma europeia daquele que é escrito pela norma americana.
    São muitos os casos em que as duas se afastam amplamente uma da outra, e, é de facto difícil aceitar este acordo muito porque após doze anos de estudo de um português, ter de reaprender a língua que sempre falei especialmente porque estou a beira de entrar numa universidade exigente, e primo pela excelência do trabalho, estar indeciso na maneira como devo redigir os meus trabalhos porque foi pensado que seria giro padronizar português é frustrante.
    Compreendo as vantagens do acordo mas não entendo como é que lhe chamam “preservar cultura” e outras citações muito curiosas, quando o que se esta a fazer é extinguir “particularidades” que, essas sim, enriquecem a língua. Critico quem fala o Inglês mais vulgarmente que a sua língua por descurar da genuinidade que lhe está disponível e subitamente vejo-me a perguntar: “Será que ainda vou acabar a falar melhor essa língua forasteira? Esse Inglês que desvalorizo de tão vulgar mutilado.”

    Garanto não é fácil para mim aceitar esse acordo ainda não consegui entender como isso será efectivamente benéfico para mim só porque me vejo numa situação caricata estive a estudar uma língua que verificando-se o acordo será muito distinta daquela que os meus filhos vão estudar, cada momento que perco a reflectir sobre o assunto encontro um contra e os prós são me impingidos por quem? Essa dos números não me encaixam afinal de contas 5 toneladas de carro não significam 5 toneladas de carro mais eficaz.

  9. No entanto o que pretendo é informar-me mais e mais sobre o assunto porque como já demonstrei o tema assalta-me a tranquilidade ( sim sem o trema, note-se que eu tive conhecimento disto faz já dois anos mas ao falar com uma ex-professora minha de português, ela garantiu-me que era falso, ora isto eu condeno se não sabia deveria ter sido sincera e se não concordava deveria ter no mínimo exposto o seu pensamento, mas isto já são outros problemas da sociedade portuguesa, termino o parentes já demasiado longo ) pois espero ter sido coeso naquilo que vos tento transmitir e coloco uma questão.

    Segundo pude averiguar este acordo terá repercussões absolutamente nulas nas gramáticas, esta informação é correcta?
    Por outras palavras uma gramática adquirida hoje e aprovado/aplicado o acordo amanha continua igualmente actual?

  10. Eu fico estupefacto com os comentários de muitos portugueses ( sempre os mesmos) tentando lançar o pânico em Portugal e no Brasil; chegam ao cúmulo de dizerem que ( escrevemos com o pronunciamos), ora isso é ser intelectualmente desonesto. Eu SOU PORTUGUÊS e posso garantir e JURAR que palavras como baptismo, acto, correcto, adopção, óptimo, e outras centenas de palavras o “c” e o “p” sao mudos. E tentam enganar os portugueses ao dizer que palavras como “facto” e contacto” passarão obrigatoriamente a “fato” e contato” …… o que é falso, porque nesse caso ambas as variantes estarão certas. Mas há mais: Com o acordo Portugal fica a ganhar, porque os livros portugueses no Brasil não serão traduzidos e assim, os brasileiros aos poucos saberão o que significa “autocarro” e estaremos finalmente em pé de igualdade. Nós portugueses já conhecemos o portugues do Brasil… no futuro os brasileiros conheceram melhor a alma lusitana. Reparem que não há traduções de livros ou até no cinema entre os estados Unidos e o Reino Unido. Porquê? Porque a dupla grafia é aceite. Ora o Acordo também prevê a dupla grafia…

  11. Aqui estou eu a fazer uma reflexão sobre a relação entre a China e os países de língua portuguesa para um seminário da Faculdade e sou conduzida involuntariamente a destrair-me um pouco com os incríveis comentários que aqui estão expostos. Sou brasileira e estudo em Portugal, é engraçado como o homem está sempre a preocupar-se com o que pode ser desvantajoso para si, muitas vezes ultrapassa o caminho da razão e confunde-se com a ilusão das paixões sociais. Há alguns meses atrás, quando iniciei meu curso de Antropologia em Lisboa, um professor comentava a diferença na escrita de determinadas palavras em Portugal e no Brasil e até perguntou-me se “Brasil” no Brasil escrevia-se com “s”. Um colega ao lado comentou:”Agora a Nayara aprenderá a escrever.” Com um sorriso no canto dos lábios olhei-o e disse: “Daqui há uns dias irás corrigir a tua maneira de escrever.”Não posso afirmar o que pode ser certo ou errado, justo ou injusto nesse acordo, não sou dona da verdade, mas existem coisas que podem ser mudadas sem alterar o resultado enquanto que na sociedade em que vivemos hoje o homem muda muitas outras de acordo com seu interesse imediato sem mesmo preocupar-se com as consequências que poderão cair em suas próprias cabeças. Correcto ou correto continuaremos sem saber realmente o seu conceito na essência da palavra, mas socialmente e culturalmente terá a mesma interpretação. Portanto, não nos preocupemos com o que é estático, mas com o que é mutável.

  12. Se condeno de certa forma o aniquilar do trema no nosso português porque não haveria de condenar o desaparecimento do “c” de “facto” que sinceramente ajuda a diferenciar entre fato embora isso se entenda pelo contexto? Acho que esse acordo não é assim tão vantajoso, vejamos:

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    -Maior concordância de termos, daí podemos admitir melhor partilha de ideias/imagens através da linguagem, logo, uma maior acessibilidade visto que mais pessoas se regulam pelos mesmo critérios.
    -Menor necessidade de traduções.

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    No entanto a diversidade também se trata de riqueza cultural e é pelas diferenças que nos identificamos, ora quando alguém lê algum documento escrito em português ” do brasil” identifica logo, geograficamente, a origem do texto,muitos dirão irrelevante, eu digo interessante. Tudo o que tenho feito transparecer aqui trata-se, obviamente, da minha subjectiva opinião, e não penso que deveis submeter-vos às mesmas, ou, por outras palavras, e pegando no que disse a Srª Nayara Barbosa ( peço desculpa se não for adequado o titulo), não penso estar inequivocamente certo, como já disse é a minha opinião.

  13. Como disse o Marcio ( nome de Brasileiro???)
    As diferenças são virtudes e não defeitos…… Vivo em Lisboa, brasileira, carioca e mestranda da Universidade de Lisboa. Não me importo em escrever em Português de Portugal, isso não muda nada, sei que o Portugues do Brasil tb é Portugues e não Brasileiro e é isso que os Portugueses deveriam entender e aceitar, não divulgar que no Brasil se fala um Português errado…. é isso que tronam as coisas mais difícies, que aceitem ambas as situações e não digam que êles é que falam correctamente, deveriam aceitar nas universidades o nosso “Idioma”, como aceitam o Françês , o Inglês….Como todos sabemos há duzentos anos o Brasil deixou de ser Português…..
    Podemos perfeitamente falar um outro Portugûes e êste ser bem aceito….. pena que os Portugueses são resistentes às mudanças….

  14. Isso de dizer que os Brasileiros falam português incorrectamente, também não concordo. Acredito que o português falado e escrito no Brasil é um genuíno derivado do português europeu e é por isso que defendo que se reconheças os dois como línguas independentes embora com bases comuns. Talvez me esteja a tornar repetitivo ou supérfluo nos meus comentários mas é que é o único lugar onde posso, de certa forma discutir o assunto.

  15. Para o Digno ou Não (pena que não identificou-se)…..
    Pode acreditar que o português falado e escrito no Brasil “é um genuíno derivado do português europeu”. O português falado no Norte do Brasil, em cidades do interior do Estado do Rio de Janeiro e nas “Minas Geraes” é, ainda hoje “puro”, aquele que nos foi ensinado desde a época da colonização, o qual, até mesmo em Portugal é difícil de ser identificado.

  16. Não entendo o porquê de lhe incomodar o facto de não usar o meu nome próprio até porque isso nem estava em discussão, para além de que já referi muitos aspectos sobre mim nos meus comentários de forma que sabe mais sobre mim que eu sei sobre si. De qualquer forma, o que interessa aqui é discutir o assunto aqui exposto. Não consegui entender era onde queria chegar ao partilhar a informação de que em certas zonas do Brasil de fala um português arcaico ( só por ser mais antigo), qual ´´e a sua opinião acerca do assunto? Concorda? Se sim porquê? Não concorda? Porquê? Tem outra sugestão? Qual?
    A mim não me interessa dizer generalizar e dizer os brasileiros é que deviam mandar na língua ou os portugueses é que deviam “mandar” na língua, para haver mudança nesta devia existir um motivo mais forte que a uniformização das línguas se não são genuinamente iguais; Se fosse porque os processos de evolução da língua assim o exigiam entende-se e seria até pedido que se fizesse. Mais uma vez não quero entrar numa guerra patética sobre quem manda na língua e quem tem mais direito sobre o quê, são derivadas não são iguais, ponto.

  17. Concordo plenamente com o ‘Digno’ e a maioria dos brasileiros tbm não aceita com essa reforma ridícula. O português e o brasileiro são duas línguas totalmente diferentes e seria interessante contar com o apoio dos portugueses ao movimento pela separação dos idioma do Brasil. Movimento que tem o apoio da maioria absoluto dos lingüistas brasileiros.

    Vejam o que eles dizem:
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    “A lei da evolução, de Darwin, estabelece que duas populações de uma espécie, se isoladas geograficamente, separam-se em duas espécies. A regra vale para a Lingüística. “Está em gestação uma nova língua: o brasileiro”, afirma Ataliba de Castilho.

    Há quem seja ainda mais assertivo. “Não tenho dúvida de que falamos brasileiro, e não português”, diz Kanavillil Rajagopalan, especialista em Política Lingüística da Unicamp. “Digo mais: as diferenças entre o português e o brasileiro são maiores do que as existentes entre o hindi, um idioma indiano, e o hurdu, falado no Paquistão, duas línguas aceitas como distintas.” Kanavillil nasceu na Índia e domina os dois idiomas.”
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    “No meu modo de ver as coisas, já é possível considerar o português do Brasil como uma língua românica de status igual ao do francês, do italiano, do espanhol etc.[…] Nenhuma língua, enquanto tiver gente falando ela, pode resistir às mudanças que ocorrem em suas estruturas com o tempo. Assim, passados 500 anos, tanto a língua de cá quanto a língua de lá se modificaram, cada uma delas numa direção, exibindo diferenças nessas mudanças, fazendo opções diferentes, escolhas diferentes. E a tendência, como indica o desenho, é à diferenciação sempre maior com o decorrer do tempo.”
    Marcos Bagno
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    “O português e o ‘vernáculo’(a língua falada pelos brasileiros) são, é claro, línguas muito parecidas. Mas não são em absoluto idênticas. Ninguém nunca tentou fazer uma avaliação abrangente de suas diferenças; mas eu suspeito que são tão diferentes quanto o português e o espanhol, ou quanto o dinamarquês e o norueguês. Isto é, poderiam ser consideradas línguas distintas, se ambas fossem línguas de civilização e oficialmente reconhecidas.”
    Mário Perini
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    A nossa gramática não pode ser inteiramente a mesma dos portugueses. As diferenciações regionais reclamam estilo e método diversos. A verdade é que, corrigindo-nos, estamos de fato a mutilar idéias e sentimentos que nos são pessoais. Já não é a língua que apuramos, é o nosso espírito que sujeitamos a servilismo inexplicável. Falar diferentemente não é falar errado. A fisionomia dos filhos não é a aberração teratológica da fisionomia paterna. Na linguagem como na natureza, não há igualdades absolutas; não há, pois, expressões diferentes que não correspondam também a idéias ou a sentimentos diferentes. Trocar um vocábulo, uma inflexão nossa por outra de Coimbra é alterar o valor de ambos a preço de uniformidades artificiosas e enganadoras. (1921: 8-9)
    (historiador e filólogo João Ribeiro)
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    “É uma violência inútil ajeitar-se uma idéia a um molde inadequado que a comprime, que a machuca, que a deforma, somente porque esse molde assentava bem a essa idéia há 100 anos passados.É martírio para a mocidade que aprende e humilhação para o mestre inteligente que ensina, esse bilingüismo dentro de um só idioma – essa unidade exterior, de superfície, de duas línguas que se repelem, a língua que falamos e a língua que escrevemos. […]Nós, no Brasil, presos à gramática “portuguesa”, somos vítimas de uma desintegração dolorosa de nós mesmos. […]A língua brasileira, já ninguém discute isso, diverge da portuguesa;” Mário Marroquim
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    Sabe aquela história de que falamos português? Pois bem, segundo o lingüista Nicolau Leite, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo aquilo não passa de nhenhenhém. Como nossa língua pode ser portuguesa se ela é formada por 30 000 vocábulos indígenas e mais de 3 000 palavras trazidas pelos escravos africanos do tronco banto? Nicolau Leite acha que nosso idioma é mesmo o brasileiro e que é absurdo tentar unificar as línguas com normatizações. O português, no fundo, foi só a casa de fundação da nossa língua, que recebeu e continua recebendo influências de todos os lados, afirma.
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    “Assim como o Português saiu do Latim, pela corrupção popular desta língua, o Brasileiro esta saindo do Português. O processo formador é o mesmo: corrupção da língua mãe.” Monteiro Lobato

  18. Ninguém aqui está em posição para falar pela maioria dos brasileiros, nem dos portugueses. Estamos falando de várias dezenas de milhões de pessoas, espalhadas em milhões de quilômetros quadrados, com milhares de quilômetros de distância. Quanto aos lingüistas, Juliana, meia dúzia de citações também não bastam.

    A diferença entre o português de Portugual e o brasileiro nem chegam para que sejam considerados dialetos, que se dirá então de idiomas diferentes! Existem diferenças entre os países, sim, e não apenas entre Brasil e Portugal. Da mesma forma, existem diferenças dentro de um mesmo país, até mesmo dentro de Portugal, que é relativamente pequeno, que se dirá então do Brasil!

    O falar muda a cada esquina; apenas a ortografia respeita fronteiras. O acordo ortográfico não vai unificar o nosso idioma, porque cada um fala de um jeito diferente; aliás, cada um fala de mais de um jeito, de acordo com a ocasião. Unificar a ortografia vai é amplicar a comunicação entre os países de língua portuguesa, de forma que as fronteiras políticas deixem de ser barreiras culturais. Distinguir entre o português do Porto e o de Recife fará tanto sentido quanto distinguir o de Manaus e o de Porto Alegre.

    Vejo o tempo todo as pessoas discutindo quem ganhará com o acordo, se serão os portugueses ou os brasileiros. Isso é uma simplificação excessiva! Tanto brasileiros quanto portugueses sofrerão para adaptar-se. Tanto as editoras brasileiras quanto as portuguesas terão oportunidades e riscos aumentos. (E não, crise não significa oportunidade + perigo!)

  19. Gostaria de saber se o novo acordo já encontra-se em vigor. Caso sim, desde quando. Caso não, quando será. Concordo que é necessário que a nossa língua seja unificada pelo menos na ortografia.

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  21. Eu também gostaria de saber se o novo acordo já está em vigor? Espero que Brasil e Portugal fiquem mais unidos ao longo do tempo. Afinal, somos descendentes uns dos outros (eu sei que alguns são descendentes de índios, de alemães…mas convenhamos, aqui no Brasil existem milhões de descendetes da “terrinha”).

  22. …receba caro editor, estes rabiscos que envio,
    A PROPOSITO DO ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA,
    e se caso lhe for conveniente, mande publicar no vosso jornal.

    A certo fio da memória
    Lembramo-nos da época em que tudo era simples
    Era uma época radiosa
    Ténue e abrilhantada
    Em que todos exprimíamos os nossos próprios sentimentos a nossa própria maneira
    A nossa língua era um gesto
    Um gesto simples para todos compreensível.

    Depois veio o tempo
    Depois veio a tal evolução que tudo atrofia
    Começamos a gaguejar
    E com o tempo codificamos signos para que nos vissem como os outros homens
    Foi uma forca estranha que nos libertou daquela época
    As nossas formas de vestir e de sentar
    As nossas formas de contar o tempo pelos ciclos de chuva e pelo número de Invernos
    Tudo se arrastou já para essa idade que a memória registou.
    E, de quando em vez, tão nítido nos vem pelo fio da memória.
    Embalados num sonho de ternura e merecida glória
    Sempre regressamos ao tempo que nos deu origem
    Às formas sublimes que mostram quem somos
    E as forças estranhas que quebraram nossas raízes,
    Rejeitamos!…

    Não é a paisagem que nos prende nesse tempo
    mas o eterno desalento que nos rói!
    Assim é com a língua!…
    Nós, os seres diminutos da civilização humana,
    seguimos como ratos o fumo da glória,
    Tementes ao atraso secular com que tanto nos batem
    Substituimos a nossa identidade para correr
    Atrás do progresso…

    Agora vos digo todos fascinados por esse universo,
    Agora vos digo todos que sao fascinados e nos pregam essa linha para o progresso:

    Não é o exílio que transforma um homem numa pedra
    Não é a língua que prende uma pátria
    Mas as vísceras que transformam qualquer cinza na mais plena vitoria,
    Os ratos que são políticos e transportam o estandarte de qualquer pátria,
    A nossa convicção e as coisas que criamos.
    O que coloniza afinal é o santo que nos pregam
    Essa crença de que o deus que é dos outros também é nosso deus
    Essa crença de que no fundo nossa civilização é um momento retardado
    A caminho do que eles já conquistaram,
    Essa crença…

    Não são os sinais que nos prendem a qualquer tempo e a qualquer raça,
    São as magoas que trazemos ancoradas e as farsas que nos foram ensinadas
    São os males, as hesitações, são tumores de cobardia que nos prendem.
    Porque afinal os sinais nada significam
    Nem o deus que nos pregam é tão supremo quanto nos pregam!

    A língua é livre!
    A língua é solta como uma ave que não tem que seguir outros caminhos senão os que a natureza lhe mostra,
    A língua é um código-genético com que os povos transportam sua identidade,
    Suas origens suspeitas,
    Seus hábitos de garça, de gazela, de hipopótamo,
    Suas formas místicas de ser ou seus hábitos puramente homogéneos.
    A língua é solta!…

    A língua não é uma armada nem um batalhão de guerra
    A língua não é um escudo que a comunidade precisa para enfrentar a globalização
    Não é uma muleta nem é amuleto de unidade.
    Porque os sinais nada significam
    E o que mesmo importa é a linguagem,
    São as vozes e são os hábitos dos homens que respiram

    FLÁVIO A. CHONGOLA

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  25. Por gentileza, digam-me se eu estou certo no tocante às seguintes colocações:

    1a) O antigo e arcaico artigo definido EL já não se une por hífen ao substantivo rei: el rei. Isso, porque a regra básica fala do uso de hífen apenas nos vocábulos com elementos de natureza nominal, adjetival, numeral ou verbal. Não falou de artigo. E, como artigo, el não pode justapor-se, sem hífen, a rei. Fica separado, sem hífen. O mesmo raciocínio se deve aplicar às interjeições “zás trás” e “vapt vupt”, que agora devem ser escritas sem hífen. Seus elementos têm vida própria em nosso idioma, mas não são de natureza nominal, adjetival, numeral ou verbal, como determina a regra do acordo ortográfico (1990).

    2ª) Mas o artigo definido el une-se, sem hífen, a “dorado” em eldorado (do Espanhol el dorado, “o dourado”) porque, neste caso, já se perdeu a noção de composição.

    3ª) O vocábulo blábláblá deve ser escrito sem hífen, porque o elemento “blá” não tem vida própria em nosso idioma. E o emprego do hífen é apenas para os elementos que constituem unidade sintagmática ou semântica.

    4ª) Não se acentuam graficamente os ditongos representados por EI e OI (fechados ou abertos) da sílaba tônica das paroxítonas: aldeia, assembléia, estreia, epopeico etc.

    É claro que essa regra não se aplica aos paroxítonos terminados em L, N, R, X, PS e ONS (como, por exemplo, DESTRÓIER /des-trói-er/), considerando a regra de que os paroxítonos terminados em L, N, R, X, PS e ONS devem ser acentuados graficamente. Ademais, devemos ter em conta que as regras devem ser interpretadas pelo processo sistemático; e, não, como se estivessem em compartimentos estanques. O acordo é um tratado internacional, ou seja, é lei, para cuja interpretação a hermenêutica impõe o processo sistemático como o prioritário.

    Antecipando agradecimentos, esclareço que ainda tenho inúmeras colocações relativamente ao acordo ortográfico.

  26. ESCREVER CERTO x ACORDO EQUIVOCADO
    Maria das Graças TARGINO
    29/12/08

    Não sou gramático. Não sou lingüista. Não sou filólogo. Não sou sequer especialista em português. Em compensação, sou professora há 43 anos. De início, de inglês instrumental. Depois, nas áreas de biblioteconomia, ciência da informação, jornalismo, redação técnico-científica, metodologia da pesquisa e afins. Ao tempo em que asseguro aos meus alunos, na graduação ou pós-graduação, a dificuldade que cerca o aprendizado de qualquer idioma, e, em particular, do português, por suas facetas e muitas nuanças, mantenho hábito antigo: corrigir o português nos trabalhos escritos, independentemente da disciplina ministrada. Sem levar em conta os errinhos no momento de atribuir conceitos, escrevo bilhetinhos sobre as incorreções da língua nesses trabalhos. As correções no discurso oral são sempre mais delicadas, porque há o risco de constrangimento, embora o “mim faz”, o “mim compra” etc.etc., pronunciados por muita gente “de bem” sempre soem como tortura aos meus ouvidos…
    Por tudo isto, acompanho, desde o início, o andamento do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, em suas idas e vindas, envolvendo estudiosos brasileiros de renome, como Antônio Houaiss (fase inicial) e Evanildo Bechara, ao final. Para promover a cooperação política, social, econômica e cultural entre os países que mantêm o português como idioma oficial, em 1984, se institui a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), com sede em Lisboa. Posteriormente, 1986, ano em que Portugal se integra à União Européia, ele passa a figurar como uma das línguas oficiais da Comunidade Econômica Européia. Desde dezembro de 1990, se inicia o projeto de reforma ortográfica para padronizar a escrita nos países que integram a CPLP, promulgado, por fim, no dia 29 de setembro de 2008.
    Em meio à sessão solene pelo centenário de morte do escritor Machado de Assis, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina quatro decretos determinando sua implantação (Nº 6.583, 6.584, 6.585 e 6.586), cujo conteúdo, acompanhado do texto integral do acordo, com todas as mudanças, está disponível ao grande público na página eletrônica do Diário Oficial da União (DOU), do dia 30 de setembro de 2008. Vale a pena consultar! E começar a estudar!
    Cada nação está livre para estipular o prazo de adaptação de sua gente às novas regras. Por exemplo, enquanto os portugueses terão seis anos, no Brasil, o período de transição vai de 1o de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2012, durante o qual a norma ortográfica em vigor e a nova norma ora estabelecida coexistirão. Acontece que há mais do que portugueses e brasileiros. O acordo envolve os Governos de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e da República Democrática de São Tomé e Príncipe, deixando de fora o Timor Leste. E eis o primeiro equívoco do acordo, de natureza científica, na tentativa vã de igualar uma língua, que, como elemento cultural de qualquer nação, ao sobreviver em contextos diferentes não pode deixar de refletir tais diferenças. E esse engano é também de ordem política e social. Como analiso na trajetória das negociações, os africanos pouco participam da elaboração do texto final, o que fere sua autonomia como povo. Aliás, o argumento favorável mais freqüente insiste em equiparar o português com o espanhol, repetindo o refrão: “se o espanhol tem uma grafia única, nós também podemos ter”, o que renega a singularidade de cada língua, de cada povo e nação. Impossível confrontar elementos que em si mesmos são distantes! Impossível comparar europeus (portugueses, no caso) com brasileiros ou brasileiros com africanos!
    Línguas exigem reforma ortográfica. Mas, reformas não asseguram status aos idiomas. O acordo nem promove a “soberania” do português nem o fortalece. Dizendo de outra forma, o alcance do português continuará limitado, embora seja a sétima língua mais falada no mundo. Segundo dados do Summer Institute of Linguistics, são cerca de 240 milhões de falantes, aquém somente do chinês (um bilhão e 200 milhões); inglês (478 milhões); hindi (437 milhões) e espanhol (392 milhões); russo (284 milhões); e árabe (284 milhões). No entanto, as nações antes citadas (inclusive Brasil e Portugal) são pouco representativas no cenário da ciência e tecnologia mundial (C&T), e, por conseguinte, no fluxo da comunicação científica, conduzindo a questões formuladas, com boa dose de ironia, por Cláudio de Moura Castro: “Se para Camões o português era o túmulo da literatura, não será menos verdade que o português será o túmulo da ciência brasileira?”; “O que é melhor, ser peão de uma ciência sofisticada ou rei de um arremedo tupiniquim de ciência?”
    Isto conduz a outro contra-argumento: se os benefícios no campo da C&T inexistem, como justificar os elevados custos sociais e financeiros que a reforma ortográfica trará, tal como aconteceu com as duas últimas, de 1943 e 1971? Em termos sociais, a dificuldade de adaptação da população, lembrando a pobreza de expressão escrita presente até nas instituições de ensino superior, dentre universitários e, pior, dentre professores. É de esperar que os erros sejam mais freqüentes e o que é grave, mais diversificados, indo além do afim / a fim; acerca / a cerca; tem / têm; estar / está; cheque / xeque, e tantos outros. E essas dificuldades prometem ser muitas, até porque o acordo não elimina obstáculos medonhos no ensino-aprendizagem do português, como é o caso clássico da hifenização.
    E mais, embora em tramitação há muito mais de 10 anos, no momento em que vem a público, o acordo parece “nu” e longe do estágio de maturação. Inexistem dicionários impressos ou eletrônicos. Faltam gramáticas ou trabalhos confiáveis. Segundo matéria da última edição de Veja de 2008, a previsão é fevereiro, prazo da editora Global para colocar nas ruas o Vocabulário Ortográfico oficial, com 360.000 palavras. Bechara e colaboradores entregaram os originais somente em dezembro desse ano. Outro agravante: consulta ao material do DOU mostra que o texto não foi revisto, em sua versão oficial, o que prevê, de cara, a possibilidade de novos ajustes (leia-se: mais despesas para os cidadãos e o Estado). Há itens facultativos, um número incompreensível de etc., e, por conseguinte, imprecisões e chance de interpretações subjetivas, Afinal, o que é etc.? Adotado ainda no latim medieval, hoje, é recurso lingüístico para evitar longa enumeração, isto é, enunciar que há “n” possibilidades, às vezes, desconhecidas de quem escreve.
    Em termos financeiros, os investimentos com dinheiro do contribuinte são incalculáveis. A partir de 2010, os Ministérios da Educação e da Cultura só aceitarão livros dentro do prescrito na nova norma. Gramáticas, livros didáticos em todas as áreas e em todos os níveis, dicionários e qualquer outro material terão de ser reeditados, sem contar a obsolescência das coleções das bibliotecas… E há mais custo previsível: o treinamento dos docentes, novamente, nos vários campos e no ensino em geral, embora o Governo não tenha divulgado uma só palavra até agora de como isso ocorrerá, apesar da longa tramitação da reforma…
    Assim, com a promulgação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, resta-nos o consolo de que a reforma se limita à ortografia. Permacemos nós, habitantes dos oitos países falantes e amantes do português (Timor Leste, incluído) livres para falar, sussurrar, segredar ou gritar, mantendo a sonoridade, a diversidade regional / local e a riqueza de vocábulos que fazem do português uma língua desprezada no circuito da ciência, mas muita amada por sua gente. Este é o consolo! Doce consolo!
    Maria das Graças TARGINO é jornalista e pós-doutora em jornalismo pela Universidad de Salamanca / Instituto Interuniversitario de Iberoamérica.

  27. Sou brasileiro e sou a favor da reforma ortográfica, não acho que haja uma diferença tão grande assim no português europeu e no português brasileiro, quando estou lendo um artigo só me dou conta que este seja um artigo português, quando no final do artigo aparece um “FACTO” ou “ACÇÃO”, acho “LEGAL” essas diferenças.

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